São Paulo – 13 de Junho

Ontem, depois que sai do trabalho, fui com um amigo em direção a Av. Paulista. Sem grandes pretensões fomos, porque sinceramente sentimos vergonha de assistir nos noticiários uma grande quantidade de jovens lutando com os rostos tampados com camisetas. Tampados não porque queriam esconder suas caras, mas sim porque esta era a única maneira de permanecer ali, porque o ar que respiravam ardia, era venenoso.

Como eu disse, bateu aquela vergonha de só estar nas redes sociais, olhando passivamente tudo aquilo que acontecia. Nossa preocupação também era de ir até o local e não trazer mais violência, mais ódio e, sim, de mostrar que uma hora muitas e muitas pessoas irão olhar posturas opressoras como a de ontem e vão sair de suas casas e tomar as ruas que são nossas.

Chegando lá o cenário era mais assustador do que a TV estava mostrando, era claro. Pudemos ver uma centena de “vândalos” correndo com o olhar perdido e o rosto pálido pra lá e pra cá. Entre esses “vândalos” consegui identificar mulheres, pais de família, jovens vestidos com camisas que estampam em palavras coisas que as vezes eles não podiam dizer, pessoas de todos os tipos que facilmente foram rotulados por vários meios midiáticos de rebeldes sem causa, de baderneiros…

No começo do dia, li uma publicação de um amigo dizendo que a meta era prender 80 pessoas desta vez. É claro que quando lemos a palavra “meta” numa situação dessa, somos levados a acreditar que isso é um boato, história para aumentar o barulho, mas o fato é que até às 18 horas, 60 pessoas já tinham sido presas e no final da noite este número chegou a 200. O que me faz tentar puxar na memória o número de presos em escândalos como o do Mensalão, Caso Cachoeira e outros espalhados pelo Brasil… Sei que não chegou perto da metade da metade do número de ontem.

Infelizmente, fora os presos, são mais de 100 pessoas feridas – entre eles participantes da manifestação, policiais, jornalistas – um número realmente alto de pessoas prejudicadas por causa da bagunça que tudo virou. Sem falar das centenas de pessoas que, tentando se deslocar para suas casas, sofreram. E conversando com alguns moradores de bairros no fundão de São Paulo, que normalmente em dias tranquilos já levam 2 horas para chegar até em casa, ouvi relatos de pessoas se pisoteando, brigas dentro dos confortáveis e tranquilos transportes públicos. É, realmente o caos se instalou em SP!

O mesmo aconteceu no Rio de Janeiro e em Porto Alegre. E ouvindo as rádios durante a noite – visto que a televisão instalada em outro mundo mostrava apenas a previsão do tempo e a festa para os jogos da Copa das Confederações -, nasceu uma vontade de que esse tipo de ação acontecesse de maneira organizada e pacífica todos os meses, para cobrar os governos, mostrar que a juventude do Brasil está viva. Não apenas pra dentro, com uma postura egocêntrica típica de um comodismo e alienação, que por um tempo engolimos a seco vários horrores que jogavam em nossas caras, mas que agora mesmo que de maneira pesada, demos um sinal de vida, de movimento.

Somos a favor do diálogo, da conversa limpa, de sentar na mesa sem que ninguém antes mesmo da discussão seja declarado o vencedor, sem favoritismo, nem para os jovens que protestam e nem para o governo. Mas foi saindo na rua que conseguimos o direito de votar, de se divorciar, os direitos das mulheres. Este estilo pode ser tirado como antiquado para alguns que pensam que somos só a geração da internet, mas nós voltamos a pegar gosto!

Você vai gostar desses posts